By Nuno Hipólito

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Reis recusa as “|guas mais alegres”, recusa as “melhores horas”. Tudo isso é externo e tudo isso ele já tem no grau suficiente, para quê desejar mais? O verdadeiro desejo de Reis é íntimo, é interior – é ai que se vai travar esta derradeira batalha, a batalha para a qual ele vem equipado com a experiência falhada (mas preciosa) do seu mestre morto. É Caeiro quem lhe diz que a natureza é suficiente, de que as águas são bastantes e a realidade finita é linear. Acrescenta Reis a tranquilidade de deuses comuns, de deuses próximos, que não residem no “vago” como ele diz.

A companhia de Lídia é no entanto curiosa nesta ode. Podemos ver como em outras odes Lídia é companhia distante do interlocutor, nunca havendo contacto directo entre eles, além do simples agarrar momentâneo das mãos. Mas porque aparece Lídia aqui? Na Ode “Vem sentar-te comigo, Lídia…” j| dissémos que Lídia é aparentemente – seguindo o exemplo de Horácio – a possível representação do primeiro amor, ou seja, o amor em essência e nunca uma representação primária do desejo. Faz sentido então que Reis associe também Lídia (por mais que não seja por colocá-la sem acção neste poema) à imortalidade das rosas, que, passageiras, são ao mesmo tempo eternas51.

Para não recordarmos nada, para não termos nada nas mãos, Reis pede-nos um esforço imenso, um sacrifício para escaparmos à nossa humanidade. Mas isso faz parte do esforço estóico que é necessário para viver nobremente – não sendo por isso um esforço sem sentido, é um esforço nobre. Esta vontade de Reis é, por um lado, tocante. Ali|s, a solid~o do “eu” perante a morte n~o pode deixar de nos tocar. Porque afinal a morte é um momento solit|rio equiparado ao solit|rio nascimento do indivíduo. Mas ao nascer, o “eu” n~o existe, porque não existem ainda memórias.

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